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Um grito de resistência política e poética


Em novo livro, Poemas de tError (Ed. 7Letras), Angélica Torres Lima  reivindica o seu legado na tradição literária que dialoga com a  História, ao oferecer sua vivência de jornalista aos baús da Memória, como uma legítima Caixa de Pandora. 

O lançamento ocorre em 31 de março, 2ª feira, das 18h às 23h, no  Bar Beirute da 109 Sul. 

No livro, Angélica aborda as iniquidades enfrentadas pela população  nacional e mundial na última década, valendo-se da poesia para  cumprir a lição de casa proposta pelo filósofo e crítico Roland Barthes.  Em Aula, um de seus principais ensaios, o escritor francês aponta que  somente a literatura é capaz de emancipar as pessoas e de levá-las a resistir ao autoritarismo.  

Poesia inspirada em fatos 

A autora transita com seus poemas pelo labirinto das tragédias  passadas, e muitas ainda presentes, em busca de um lugar onde a  paz e a harmonia predominem. Um dos homenageados, por exemplo,  é Moïse Kabagambe, o congolês de 24 anos, refugiado no Brasil  desde 2014, que em 2022 foi espancado até a morte, num quiosque  de Copacabana.  

Mártires ícones da ditadura e o trágico destino dos palestinos são  também fontes de onde surgem os versos. “É minha contribuição à  História. Cobri o período no jornalismo independente e ao mesmo  tempo, fui registrando em versos o vivido”, conta a autora, embora  nem tudo seja guerra nem soe panfletário nesse impulso poético.  

Campos de conflitos - Dividido em quatro blocos – RuínasCoronados, Duro Mundo e Error – os poemas caminham aos poucos  para os de sentimentos pessoais provindos das agruras existenciais e  com poucos motivos para manter viva a chama da esperança no  futuro – seja doce como o “sonho do menino de um ano”, ou amargo  como o destino das “crianças de Gaza”.  

No posfácio, entretanto, a poeta e jornalista Ana Maria Lopes observa  que, nos quatro capítulos do livro, a memória é um campo de  conflitos que não impedem a autora de estabelecer fronteiras entre o 

terror e a esperança. Mas “não há traços de tese, ranço ideológico ou  acerto de contas. É a expressão mais sincera de observadora e, por  vezes, de protagonista das cenas poéticas desse livro”, ressalta. 

Trajetória - Angélica Torres Lima tem mais de 40 anos de trajetória  profissional e 50 de poesia. Publicou em versos, entre outros mais de  poemas e também em prosa: Sindicato de Estudantes (1986), O  Poema Quer Ser Útil (2006), O Nome Nômade (2015, semifinalista do  Prêmio Oceanos) e Diminutos, haicai à brasileira (2023). Integra  ainda várias antologias, como a Dos 70 aos 70, da geração de poetas  marginais brasilienses, e Aí é Que São Elas II, coletânea de 29 poetas  que vivem em Brasília.  

Poemas de tError – De Angélica Torres Lima. Lançamento em 31 de  março, 2ª feira, a partir das 18h, no Bar Beirute da 109 Sul. Selo:  Editora 7Letras. 128 págs. Preço de capa: R$ 48. Livros à venda no  site www.7letras.com.br. Mais informações com Cristiano Torres (61)  99526-1466

Este projeto é realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do  Distrito Federal. 


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